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  • Hospício é Deus – Diário I, Maura Lopes Cançado

    O louco é divino, na minha tentativa fraca e angustiante de compreensão. É eterno. (CANÇADO, 2015, p. 25) A arte e a loucura sempre se cruzaram, ainda que de maneira tortuosa. Na literatura, a mente frágil e inconstante de alguns escritores gerou trabalhos de grande potência, como os do francês Antonin Artaud, do paulista Renato …

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  • Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur

    – Você tem aquele livro da Rupi Kaur? – questiono a moça que vende livros num avental, um pouco envergonhada da minha pronúncia esquisita do nome da poeta. – Qual livro? – diz, aproximando-se do teclado do computador. – É… Milk and honey, acho que… “Modos de usar a boca”? – Não seria “outros”? [pausa …

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  • Perro Viejo, Teresa Cárdenas

    “Sufro la inmensa pena de tu extravío Siento el dolor profundo de tu partida Y lloro sin que sepas que el llanto mio Tiene lagrimas negras, tiene lagrimas negras Como mi vida” (Lagrimas negras, Buena Vista Social Club) Algumas pessoas se recordam de suas leituras da infância e é um alento quando encontramos tais experiências …

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  • O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy

    “Ammu, se a gente fica feliz num sonho, vale?”, Estha perguntou. “Vale como?” “A felicidade vale?” Ela sabia exatamente o que ele queria dizer, seu filho com o topete desmanchado. Porque na verdade só o que vale vale. A sabedoria simples e direta das crianças. — O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy Não raro …

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  • O conto da aia, Margaret Atwood

    Você não conta uma historia apenas para si mesma. Sempre existe alguma outra pessoa. Mesmo quando não há ninguém. (ATWOOD, 2006, p. 54) A canadense Margaret Atwood, além da vasta e diversificada carreira como escritora (explorando o romance, o conto e a poesia), também já lecionou língua e literatura inglesas e exerceu por muito tempo …

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  • Felizes poucos, Maria José Silveira

    Fomos vencidos? Quem vai saber. Só a vida dirá se, ao perder a batalha, perdemos nela a esperança e a alegria de ser quem fomos e quem somos. Esse bando de irmãos. (p. 30)     Recém saído do forno em 2016, Felizes poucos: onze contos e um curinga é a mais recente obra de …

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  • Lazarilho de Tormes, Anônimo

    Nesses tempos de adversidades e de reviravoltas em nossas fortunas, apresento brevemente o livro Lazarilho de Tormes, história sobre a personagem do “pequeno Lázaro”, situada na Espanha do século XVI, que poderia refletir muito bem as condições de vida de muitos anônimos sobreviventes que caminham sob os olhos desatentos dos demais em uma sociedade extremamente …

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  • Crônicas de São Paulo – um olhar indígena, Daniel Munduruku

    Em um texto intitulado “A vida ao rés-do-chão”, o qual se tornou referência nos estudos sobre crônica, o mestre Antonio Candido dá “Graças a deus” pelo fato dessa ser considerada um “gênero menor” na literatura. Esse alívio expresso por ele, justifica-se porque, sendo como é, a crônica chega mais junto da gente comum. Para Candido, …

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  • [ESPECIAL] Todas as vencedoras do Nobel de Literatura

    Na verdade, mulheres vendem muito. Por isso editores estão sempre procurando boas autoras. Mas homens dominam as resenhas. Já faz algum tempo. Homens são mais resenhados, mais homens resenham, e escritores homens são levados mais a sério. — Margaret Atwood. Ao longo de 116 anos, a academia sueca entregou sua medalhinha adornada com o busto [...] More  →
  • Azul e dura, Beatriz Bracher

    Nada importa quando nada está certo. (BRACHER, 2010, p. 134) Uma das autoras mais interessantes e respeitadas de nossa produção literária recente, a paulista Beatriz Bracher iniciou a carreira no mundo editorial brasileiro participando da organização da revista de literatura e filosofia 34 Letras e se destacando como uma das fundadoras da competente Editora 34. …

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  • Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki

    a poesia não se procura tipo diamante, se encontra tipo arco-íris: ou há ou não há – sorte e azar dos olhos no depois da chuva. (p. 114)   Creio que a melhor forma de desenrolar minhas impressões sobre Quantas madrugadas tem a noite seja partir de uma fala de Maria Valéria Rezende, escritora que …

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  • O gigante enterrado, Kazuo Ishiguro

    Em outros tempos, neste mesmo Prosa Mirante, escrevi sobre Kazuo Ishiguro e seu livro de contos, Noturnos. À época, destaquei a importância de Ishiguro para a literatura contemporânea, principalmente na escrita de romances. Justamente sobre o mais recente, publicado em 2015, que debruço-me nesta resenha: O gigante enterrado. A princípio, parece-me que o livro reitera …

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