Author Archives: Eliza Araújo

  • Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur

    – Você tem aquele livro da Rupi Kaur? – questiono a moça que vende livros num avental, um pouco envergonhada da minha pronúncia esquisita do nome da poeta. – Qual livro? – diz, aproximando-se do teclado do computador. – É… Milk and honey, acho que… “Modos de usar a boca”? – Não seria “outros”? [pausa …

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  • Felizes poucos, Maria José Silveira

    Fomos vencidos? Quem vai saber. Só a vida dirá se, ao perder a batalha, perdemos nela a esperança e a alegria de ser quem fomos e quem somos. Esse bando de irmãos. (p. 30)     Recém saído do forno em 2016, Felizes poucos: onze contos e um curinga é a mais recente obra de …

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  • Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki

    a poesia não se procura tipo diamante, se encontra tipo arco-íris: ou há ou não há – sorte e azar dos olhos no depois da chuva. (p. 114)   Creio que a melhor forma de desenrolar minhas impressões sobre Quantas madrugadas tem a noite seja partir de uma fala de Maria Valéria Rezende, escritora que …

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  • Diário de Bitita, Carolina Maria de Jesus

          Para mim, o mundo consistia em comer, crescer e brincar. Eu pensava: o mundo é gostoso para se viver nele. Eu nunca hei de morrer para não deixar o mundo. O mundo há de ser sempre meu. Se eu morrer, não vou ver o sol, não vou ver a lua, nem as …

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  • Quarenta dias, Maria Valéria Rezende

    Quarenta Dias, romance de Maria Valéria Rezende vencedor do Prêmio Jabuti de 2015, é um livro-diário da narradora aposentada Alice,  diante do qual me portei como me portava diante dos meus próprios diários. Eles, como o livro, estavam ora nas mãos, ora na mesa do café, nas bolsas, no criado-mudo, sobre o travesseiro, em qualquer …

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  • A paz dura pouco, Chinua Achebe

    ‘Um homem pode ir para a Inglaterra, virar advogado ou médico, mas isso não muda seu sangue. É como um pássaro que voa da terra e vai pousar num formigueiro. Ele continua na terra’ (p. 182).   Nada como um reencontro com a prosa de Achebe. Há elementos na sua narrativa que nos aproximam de …

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  • Olhos d’água, Conceição Evaristo

    Buscar, nas representações da cidade, aquilo que não se quer ali—aqueles que habitam seus desvios, que ameaçam seus muros, os que foram jogados, desde sempre, para o lado de fora. (DALCASTAGNÈ, Regina)[1]   Aprendi a repensar minha trajetória como leitora ao longo dos anos estudando literatura e falando sobre literatura com outras pessoas apaixonadas como …

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  • Um útero é do tamanho de um punho, Angélica Freitas

    “Um poeta deve entrar no pleno domínio unipessoal de sua linguagem, assumir igual responsabilidade por todos os seus elementos, subordiná-los a intenções próprias e somente suas, cada palavra deve exprimir direta e indiretamente a intenção do poema: não deve haver nenhuma distância entre o poeta e sua palavra” (BAKHTIN, 2015, p. 73)[1] “A linguagem do …

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  • Cartografias contemporâneas, Sandra Almeida

    Em seu Cartografias contemporâneas – espaço, corpo, escrita, Sandra Regina Goulart Almeida apresenta inicialmente um apanhado de pesquisas acerca do espaço literário e suas implicações culturais e de gênero, relacionando os textos críticos que discutem espaço, cultura e diáspora com romances contemporâneos escritos por mulheres - as chamadas narrativas de trânsito. Nos romances em tela, protagonistas femininas imigrantes [...] More  →