Tag Archives: Literatura Contemporânea

  • A Rainha Ginga, José Eduardo Agualusa

    Há mentiras que resgatam e há verdades que escravizam. [Agualusa] “Dona Ana de Sousa, a rainha Ginga, morreu a 17 de dezembro de 1663, aos oitenta anos, em paz com os portugueses e com a Igreja Católica”, relata Francisco José da Santa Cruz, também aos oitenta anos, vividos entre as lembranças de sua convivência com …

    More  →
  • As cidades invisíveis, Italo Calvino

    Resolvi revisitar As cidades invisíveis (1972) daquele Calvino italiano com quem acredito, com a força de uma topada no dedo mindinho do pé, ter alguma conexão astral. O livro foi reeditado este ano pela Companhia das Letras e traz 8 desenhos do autor e ilustrador (além de arquiteto, o que vem a calhar) Matteo Pericoli,  [...] More  →
  • Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur

    – Você tem aquele livro da Rupi Kaur? – questiono a moça que vende livros num avental, um pouco envergonhada da minha pronúncia esquisita do nome da poeta. – Qual livro? – diz, aproximando-se do teclado do computador. – É… Milk and honey, acho que… “Modos de usar a boca”? – Não seria “outros”? [pausa …

    More  →
  • Perro Viejo, Teresa Cárdenas

    “Sufro la inmensa pena de tu extravío Siento el dolor profundo de tu partida Y lloro sin que sepas que el llanto mio Tiene lagrimas negras, tiene lagrimas negras Como mi vida” (Lagrimas negras, Buena Vista Social Club) Algumas pessoas se recordam de suas leituras da infância e é um alento quando encontramos tais experiências …

    More  →
  • O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy

    “Ammu, se a gente fica feliz num sonho, vale?”, Estha perguntou. “Vale como?” “A felicidade vale?” Ela sabia exatamente o que ele queria dizer, seu filho com o topete desmanchado. Porque na verdade só o que vale vale. A sabedoria simples e direta das crianças. — O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy Não raro …

    More  →
  • Felizes poucos, Maria José Silveira

    Fomos vencidos? Quem vai saber. Só a vida dirá se, ao perder a batalha, perdemos nela a esperança e a alegria de ser quem fomos e quem somos. Esse bando de irmãos. (p. 30)     Recém saído do forno em 2016, Felizes poucos: onze contos e um curinga é a mais recente obra de …

    More  →
  • Azul e dura, Beatriz Bracher

    Nada importa quando nada está certo. (BRACHER, 2010, p. 134) Uma das autoras mais interessantes e respeitadas de nossa produção literária recente, a paulista Beatriz Bracher iniciou a carreira no mundo editorial brasileiro participando da organização da revista de literatura e filosofia 34 Letras e se destacando como uma das fundadoras da competente Editora 34. …

    More  →
  • Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki

    a poesia não se procura tipo diamante, se encontra tipo arco-íris: ou há ou não há – sorte e azar dos olhos no depois da chuva. (p. 114)   Creio que a melhor forma de desenrolar minhas impressões sobre Quantas madrugadas tem a noite seja partir de uma fala de Maria Valéria Rezende, escritora que …

    More  →
  • O gigante enterrado, Kazuo Ishiguro

    Em outros tempos, neste mesmo Prosa Mirante, escrevi sobre Kazuo Ishiguro e seu livro de contos, Noturnos. À época, destaquei a importância de Ishiguro para a literatura contemporânea, principalmente na escrita de romances. Justamente sobre o mais recente, publicado em 2015, que debruço-me nesta resenha: O gigante enterrado. A princípio, parece-me que o livro reitera …

    More  →
  • O cemitério de Praga, Umberto Eco

    Sou grande admirador (e usuário) do Umberto Eco Teórico, cujos trabalhos sobre a presença do leitor no texto contribuem para sustentar e arrematar as estratégias interpretativas de qualquer obra. Para o Eco de Lector in Fabula e Seis passeios pelos bosques da ficção (livrinho agradável que todomundo devia ler), o texto é “uma máquina preguiçosa pedindo ao …

    More  →
  • O voo da guará vermelha, Maria Valéria Rezende

    “Quem construiu a Tebas das sete portas? Nos livros constam os nomes dos reis. Arrastaram eles os blocos de pedra?” Bertold Brecht   Abrir o livro e com ele alçar voo, o livro mesmo sendo pássaro, asas abertas, chamando o leitor pra garupa da sua lombada, aninhando-o dentro de suas páginas. Livro que promete no …

    More  →
  • Desmundo, Ana Miranda

    Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. — José Saramago, Memorial do convento Vossas mercês, leitores do Prosa, precisam ler Desmundo. Urgentemente. Capaz de mergulhar o leitor numa atmosfera de brutalidade e lirismo, esta narrativa rouba seu fôlego em meio à densa vida selvagem de uma colônia ainda pouco desbravada …

    More  →